Quando a minha irmã e eu eramos pequenas, sempre que faltava energia na vila do "não tinha" onde a gente morava. Na verdade a vila se chamava Extrema. Eu que chamo de "não tinha" porque não tinha nada. Não tinha rua asfaltada, não tinha sameamento básico, não tinha praça, não tinha lugares pra passear, não tinha ilunação pública, dava pra contar nos dedos da mão do Lula as famílias que tinha carro próprio... Acho que esse nome Extrema, deve ser de EXTREMA PRECARIEDADE.
Então, a gente pedia pra mamãe contar, nas noites de apagão, a história dos dois irmãos: um doido e um normal. Ela se sentava na cama e nós duas deitava do lado dela. As vezes ela colocava a rede no quarto e ficava deitada balançando e os armadores da rede faziam um barulhinho repetitivo mas que não incomodava. Ela deixava só uma vela acesa formando sombras engraçadas quando o ventinho que entreva pelas frestas das paredes de madeira da nossa casa e balançava o pavil da vela.
Foram tantas as vezes que ela contou essa história que eu consigo lembrar de cada detalhe.
E se eu pedir pra ela me contar de novo pela milésima vez, vou rir de todas as partes engraçadas como se fosse a primeira vez.
Por que eu to escrevendo sobre isso?
Porque na aula de inglês teve uma lição sobre uma avó contadora de histórias. Os netos estavam sentados ao redor dela e ela contava a história do cavalo Pégasus.
Eu só tenho meu avô materno. Não gosto dele por vários motivos que não importa o que me digam eu só consigo trata-lo como avô sem ser só por educação. E se achar que é frescura minha, vou falar um dos motivos. Ele não teve a consideração de guardar nem ao menos uma foto da minha avó pra minha mãe saber como ela era... Isso me revolta demais. Não conheci meus avós paternos. E o pouco que sei sobre eles é o que minha mãe conta quando eu pergunto. Meu pai nunca me falou sobre eles porque depois que ele ficou "grandinho" se desintendeu com a familia e foi morar sozinho. Vivo esquecendo o nomes deles. Fiquei até sem jeito de responder "I don't remember" quando a professora perguntou "What is the name of your grandfather?".
Não da pra explicar direito como é crescer tendo ao seu lado apenas, seu pai, sua mãe e sua irmã como parentes, sabe? As vezes tenho curiosidade de saber como eu seria se tivesse crescido junto dos meus primos, dos meus tios, ter conhecido meus avós partenos, passar pela fase de pagação de mico quando os parentes se reunem. Eu vejo as pessoas que convivem com a parentada toda por perto, os que tem ainda bisavós. Fico tentando entender se o amor que eles sentem pelos outros parentes é igual ou parecido com o que sentem pelos pais. Ou se esse amor é o mesmo que se sente pelos amigos.
Por mais que eu tente, não consigo me sentir avontade e confiança de partilhar... o que mesmo que se partilha entre com os parentes?
Enfim, eu só queria colocar isso pra fora da cabeça porque tava me incomodando desde da aula de inglês da quarta-feira passada. Os outros alunos da minha turma, todos tinham respostas legais sobre os avós e eu só respondia a mesma.
É uma coisa boba. Nem sei porque me incomodou. Eu até dou risada quando lembro que descobri por acaso que o nome do meu tio Cláudio na verdade é Claudionor. Isso foi quando eu comecei a entrar no chat do humortadela e conheci um menino que se chamava Claudionor. Ele disse que odiava o nome e nunca tinha conhecido ninguém com o mesmo. Então, num belo dia a mamãe tava me contando umas coisas do meu tio e eu falei que tinha conhecido um menino com o nome parecido e quando eu falei o nome, ela me falou que os nomes eram iguais.
Legal, to me sentindo melhor agora.
As musiquinhas de hoje são.... SHINE A LIGHT, THERE SHE GOES e PERFECT SITUATION
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